Terra
Pedaço de chão arado ou batido, retalho de sonho partido, pedindo socorro aos impiedosos.
Morena pousada de tantos andantes, útero fértil de tantas sementes, imploras por vida e pão.
Tu queres ser pisada por bichos e homens, tu queres dar flores para colorir a vida e a morte.
Mas pedes respeito para poder ter em teus braços, abraços, abraços, de gente feliz.
Mãe terra, negra mãe dos filhos teus, olhos verdes de pasto choram orvalho de alegria.
De ti brotam os verdadeiros donos do mundo, que matarão a fome de amor e fé.
Chão batido, longa estrada, abrigo, perigo, tão perto, muito longe, levas a qualquer lugar.
Te partem em pedaços, te deixam vazia, te cobrem de ferro e cimento e teu sentimento vai chegando ao fim.
Enxerguem a barbárie dos atos infames que são praticados contra a terra, coitada da terra, indefesa como tanta gente sem voz e sem vez, pobre humanidade que não cuida seu chão, haverá de pedir perdão a esse solo agredido, somos todos feridos, humanos desunidos sem força de lutar, chega de ganância, de verdes desertos, cultivem o solo que a recompensa virá.

