Maria

Maria
15:48

Guardados da noite

                                      Guardados da noite
O sol fica pequeno e se esconde
atras do morro.
A noite vem devagar,
invadindo a praça, as ruas.
O silêncio vai tomar conta de tudo.
É nessas noites silenciosas que vou buscar o que sobrou do dia.
Nas folhas
trêmulas, nas poucas flores que desabrocham neste inverno.
Vou com a noite e volto com o amanhecer, trago as mãos cheias de rosas
orvalhadas, de silêncios dormidos, de palavras que ninguém ouviu, de risos e lágrimas guardados na noite passada e gastei nos lugares por onde andei.
Salvei
pássaros feridos,ouvi gritos silenciosos de lábios mudos, senti dores e amores.
Amores que sofrem nas noites sem fim.
Estarei sempre aqui nas próximas estações, em todos amanhecer, em cada noite calada a espera e a procura, do momento certo que me leve a ti.

17:57

A portas fechadas

                                          A portas fechadas
A portas fechadas revelam-se e escondem-se, palavras e atos, risos e dores, decisões indecisas rolam sobre mesas, papéis e tinta.
A angústia ou a alegria vestem-se de luxo ou lixo, é proibido entrar.
A porta nos separa enquanto a vida nos une.
Mas já não importa o que foi decidido.
Aqui fora é que mora, vive e morre, a vida.
Marcada por curtos espaços, soluços suspensos e lágrimas que nunca deveriam cair.
É aqui na rua que o mundo acontece, sofre e padece, marca o chão com seu passo
descompassado e com sua mão erguida em vão.
Cobram justiça de quem a injustiça é a mãe criadora e ingrata, que seus filhos maltrata com a fome e a miséria, matéria prima indispensável a formação dos ditos ingratos... das ruas, das casas, dos albergues e dos becos escuros, cheios de solidão.
Lá dentro da sala, está tudo organizado, dolarizado e arquivado para a próxima reunião.
E povo acredita, trabalha a portas abertas, para ganhar seu pão.

19:46

Humanos

                                             Humanos
Humanos de mais para entender as diferenças, quando as igualdades são disputadas e a superação inevitável.
Humanos para errar tanto na procura de pequenos acertos.
Seres comuns e privilegiados, fracos e fortes, mas impotentes diante da dor.
Tão humano pela alma e tão desconexo pela necessidade de viver.
Somos assim, sem comparações,com algumas identificações e muitas confusões.
Vivemos brincando de donos do mundo, mas nossos são só os sonhos, a realidade é
divisível, imprevisível e desigual.
Não somos pobres, nem ricos, apenas humanos...
No choro e no riso
refletimos sentimentos que todos conhecem.
Nada é novo, quando nascer é começo de morrer.
Apenas aprimoramos nossos conceitos, copiamos
verbetes, que outros humanos deixaram de herança.
Guardamos na lembrança aqueles momentos que julgamos melhor.
Compramos e usamos o que o dinheiro pode nos
proporcionar...
Somos assim, terra e sangue, vida e morte, inesgotável mistério que a resposta só
pertence a Deus.
Deus, perdoa teu
povo tão humano, foi assim que o fizeste.
Perdoa porque sofrem, porque se desesperam e esperam o que não vai acontecer.
Perdoa os erros, abençoa os acertos, porque sabes que sempre voltarão a errar.
Não deserda teus filhos, já quase sem nada, faz com que o nada do mundo seja muito na alma.
Que mesmo sem saber, acreditem nas flores, nas sementes, nos frutos, na tua terra.
Que olhem as estrelas nas noites tão tristes e vejam que são luzes doadas por ti.
Deus, olha pelos teus filhos, humanos, que se fizeram pais e se tornaram filhos, povoando o mundo desconhecido, com tanta esperança, ela é a criança, que vive dentro de cada um, acreditando num amanhã melhor.