Maria

Maria
17:57

A portas fechadas

                                          A portas fechadas
A portas fechadas revelam-se e escondem-se, palavras e atos, risos e dores, decisões indecisas rolam sobre mesas, papéis e tinta.
A angústia ou a alegria vestem-se de luxo ou lixo, é proibido entrar.
A porta nos separa enquanto a vida nos une.
Mas já não importa o que foi decidido.
Aqui fora é que mora, vive e morre, a vida.
Marcada por curtos espaços, soluços suspensos e lágrimas que nunca deveriam cair.
É aqui na rua que o mundo acontece, sofre e padece, marca o chão com seu passo
descompassado e com sua mão erguida em vão.
Cobram justiça de quem a injustiça é a mãe criadora e ingrata, que seus filhos maltrata com a fome e a miséria, matéria prima indispensável a formação dos ditos ingratos... das ruas, das casas, dos albergues e dos becos escuros, cheios de solidão.
Lá dentro da sala, está tudo organizado, dolarizado e arquivado para a próxima reunião.
E povo acredita, trabalha a portas abertas, para ganhar seu pão.

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