Poesia publicada no jornal Fronteira-Herval. Em 1983.
Triste palhaço
Tão triste, não te reconheço.
Porque estás assim?
Escondes teu rosto numa velha máscara.
ocultas tua alma em rasgadas janelas.
Desfilas desengonçado no bloco feliz.
Palhaço, hoje sim te assumes no teu nada.
Substantivo comum na massa toda.
És um palhaço e isso te basta, tens uma banda,
mas nem dela precisavas, pois coração de palhaço bate forte,
dança, requebra, ri até da sorte.
Mas quando acaba a folia a dor aumenta.
Nem no bloco de sujos tu desfilas mais e nem te encobrem os olhos, rasgadas janelas.
Que pena me dá de ti, alma cansada.
Se ainda tivesse lágrimas, contigo choraria este momento triste do acordar.
Talvez nunca mais eu dormiria, para não ser palhaço.
Para não mais sonhar.


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