Maria

Maria
16:28

Primavera

                                 Primavera
Por que choras primavera, se mal começastes tua estação.
Sou passarinho que treme no ninho, sou flor pequenina ainda em botão.
Se choras , motivos deves ter, mas conta comigo, sou teu amigo passarinho.
Resisti ao inverno pra te ver  chegar, tenho filhotinhos para abrigar.
Seca o pranto primavera, te encanto com meu canto e juntos vamos voar.
Pensa nas flores, nos amores e até nas dores que podes aliviar.
Sou só um passarinho, querendo carinho de um raio solar.
Se quiseres amor, te amarei. Se quiseres música cantarei.
Preciso de sol para chamar borboletas para os jardins.
Preciso de luz para esvoaçar nas vidraças da menina.
Ela me ama, nunca me colocou em gaiolas e canta comigo enquanto faço o ninho.
Primavera, linda, linda, vem me encher de alegria .

Teu calor vai florir as ruas, ter belas noites de lua, e farás a alegria do teu amigo passarinho.

16:27

O rancho

                                       O rancho
Terra cortada em pedaços,paredes foram erguidas, só quem viveu essa época, sabe o quanto é dura a lida.
Depois o barro sovado para fazer o reboco, e tudo ficando lindo, qual ninho de passarinho, com vida amor e conforto.
Não é o que tem agora, luzes feitas de neon, era um raio de sol ou um pedaço de lua, entrava pela palha e iluminava o ambiente, daqueles que não tem mais, os pais, os filhos, os avós.....
Quanta saudade e lembrança, do meu tempo de criança e um rancho cheio de gente.

16:26

O choro das nuvens

                              O choro das nuvens

Choram as nuvens em pingos barulhentos e rolam pelas ruas.
Talvez tragam em sua essência o pranto contido por ausência tua.
As vezes a chuva se torna violenta e manda avisos por raios e tormenta.
Também os corações com tanto sofrimento, derrama lágrimas de dor porque não mais aguenta.
Senhor da chuva, Senhor dos corações, da um alívio nesse tempo feio, traz de volta o sol e o vento.
Senhor, seca as lágrimas, que a rua não chore, que o povo não sofra, que as perdas se reparem e poupa-lhes a vida.
Te peço que venhas com teu poncho imenso, aquecendo a todos que estão desabrigados, dando esperança, força e fé.
Por Nossa Senhora, Amém.

16:23

Morrer

                                          Morrer
É verdade que a saudade aumenta quando o tempo passa.
E tudo começa a se perder nas entrelinhas do passado.
As lágrimas escassas teimam em cair.
E o que será que está por vir?
O que sabemos desta vida breve, a não ser que estamos aqui.
De verdade é a morte, essa sim é para sempre. 
E ronda com seus olhos vendados os cantos do mundo, e se esconde.
pobres andantes, viventes, errantes, com medo de ti.
Quando será? Ninguém quer saber. Mas sabemos que virá e nos levará.
Saudade, saudade é o que fica guardado no cofre dos corações, que 
doem em silêncio. Talvez porque é mais fácil ter com quem sorrir, do
que ter com quem chorar.
Bom assim, a alegria tem mais espaço do que a dor, ou não?
Perdidos em lembranças, buscamos esperança, que bom é ser criança.
Ter pai e mãe por perto, bolinhas de sabão, que no vento se vão.
E ir tocando a vida, sem pensar em despedidas.
Queria matar a morte, que tanto faz sofrer. Mas como seria, se quando a vida começa é que começamos a morrer.

Dedicado à meu pai, minha mãe e todos que amei.

16:20

Mãe

                                            Mãe
Em ti moram os maiores sonhos e tuas mãos carregam esperança.
Dentro de ti geras a vida e és a guarida de tua criança.
Na noite fria és cobertor quentinho, teu leite morno é o alimento certo.
Tua alegria mora com teus filhos, se estão felizes tu estás contente.
Ninguém compare esse amor sem medida, que mora nas mães de todo continente.
Se é rica ou pobre sofres a mesma dor, e dás vida a pelo filho amado.
Mãe, sou grata a ti por todos os carinhos, ensinamentos que a mim deixastes. Moras em minha alma em todos os momentos e não ha sofrimento que de ti me afaste.
Eterna sim, em todos os amores, dedico a ti o maior jardim de flores,
que sem saber plantastes quando me gerastes.

16:18

Final de tarde

                                       Final de tarde
O céu escurece cedo neste dia quente de maio.
Não sei se foi um dia fácil, mas talvez de decisões.
Quando o agir torna-se difícil, o coração aperta e se esconde, querendo deixar para amanhã.
Mas a hora é agora, deixar as tristezas e dar rumo ao barco.
Que Deus sempre me ajude a fazer a coisa certa.
Que me ilumine no caminho e me dê a mão se eu vacilar.
Que o coração e a razão andem juntos para não magoar.
Que não seja eu causadora de conflitos, mas sim a solução para eles.
Pai nosso de todos dias, enche meu lar de paz e alegria.
Que seja feita a tua vontade no mundo dos homens.
Perdoa meus erros e abençoa meus acertos.
Amém.

16:17

Dia do trabalho

                                     Dia do trabalho
Este dia primeiro de maio que chega ao fim, deixo uma mensagem aos trabalhadores de todo brasil.
Meu colega de batalha, que todos os dias levanta cedo e vai cumprir sua missão, com a finalidade de colocar na mesa o pão de cada dia.
Pense que é um herói, que nenhuma profissão é melhor que a sua.
Que todos somos necessários para o andamento dessa máquina.
Embora sabendo que quem menos trabalha é quem mais recebe.
Mesmo assim, não desiste, é honesto e ama o que faz.
Amigo de fé, que mesmo diante de tantas atrocidades, volta à rua e cumpre seu papel.
Mesmo com o medo rondando seus passos, vai em frente e vence.
Só nós sabemos que a coisa mais triste é ver um filho com fome.
Sem médico, sem medicamento e tantas vezes sem amor.
Todos nós brasileiros, esperamos pela Mãe Gentil.
Chora por teus filhos, grita por justiça, igualdade e paz.
Chora Pátria amada....
BRASIL.

16:15

Aproveitando o dia da chegada da chama criola em Herval.

Aproveitando o dia da chegada da chama criola em Herval.
Partilha de dor
Naquela tarde de outono
O meu rancho ficou só.
A prenda se foi embora
E a tristeza é de dar dó.
Não quis levar quase nada
De tudo que construímos.
Deixando só para mim
O amor que dividimos.
Hoje quando aqueço,
A chaleira no fogão,
Me falta a prenda querida
Pra tomar o chimarrão.
O quarto com seu aroma
Não me deixa esquecer,
O Calor de seu abraço
Não mais alivia meu sofrer.
De que adianta minha prenda
Este tudo em meu viver.
Não mais me valem os trocados
Que tenho pra receber.
Vai chegar fim de semana,
Vou me pilchar á capricho, 
Para ir ao vilarejo
Ver se acho algum cambicho.
Mas a dor deste gaúcho, 
Não tem pilcha que arrume,
Saio na porta sem jeito
Me falta o seu perfume.

O pingo está encilhado
Mas do lado falta o seu.
Falta seu rosto, seu riso.
Falta seu braço no meu.

16:13

Anoiteceu com jeito de primavera

                                         Anoiteceu com jeito de primavera
Anoiteceu com jeito de primavera, a tarde caiu calma e morna.
Teus olhos, olhos de campo, olhar de lua.
Amor, meu amor, nesta tarde que foi, ficou saudades tuas.
E a noite, longa e quieta, sussurra cantos e risos pela rua.
Não sabia que o tempo levaria tuas palavras alegres, nem que teu riso iria embora junto com a estrela guia, nem que sonharia e por ti sofreria.
Anjo meu, traz de volta um pouco de alegria, amanhã, com sol novinho
Que vai brilhar no céu dos meus tormentos, amanhã ao meio dia.

16:11

Anjos

                                            Anjos
Anjos que planam pela noite adentro e se embrenham nas ruas mais escuras. São anjos perdidos feito gente, anjos que precisam de nossa ajuda.
Anjos pequenos e as vezes nem tanto, mas são anjos tontos nas baladas da vida. Vida tão querida, que não queria assim ser vivida.
Anjos torturados, com tiros no peito, anjos violados na sua candura, anjos negociados qual mercadoria e depois descartados no meio da rua.
Meu DEUS, vem em socorro desse mundo louco, que faz do ser humano um trapo qualquer. São filhos Senhor e pedem por socorro, atende por favor, mesmo que não tenham fé.
Te peço por todos, atende este pedido de mãe, de professora, de cidadã, de vó, de tia....não importa quem for, abraça teus anjos SENHOR, Amém.

16:10

A fumaça

                                      A fumaça
A fumaça que sai da lareira não conta à ninguém, as chamas que deixou para traz..
Assim é a vida,nem sempre vemos tudo, nem tampouco sabemos o que ficou na história de cada um.
A fruta madura, a saudade contida, a água do rio, que também não conta as pedras de seu caminho sem volta.
Não devemos julgar as aparências, só por elas, nada somos.
Observe tudo a cada dia, como se fosse o primeiro e descobrirá que as pérolas viveram no lodo. E nós?

20:18

Será

                                                               Será
     Será que a cada dia vamos rever nossos erros e aprender com          eles?
     Será que seremos felizes como antes ou vamos descobrir que            nunca fomos?
     Será possível que apesar de tudo o que se vive, ainda falta tanto.
     E quando, olharmos o antigo álbum nos veremos distantes.
     Tempos passados, risos roubados, sonhos escassos...
     De que valeu tudo o que foi feito, se continuamos do mesmo            jeito.
     Noites iguais, dias sem sol, solidão.
     Sem mim, sem ti, falta de nós.
     elos quebrados, que dó, mas que dor neste muindo sem cor.
     Mas haverá outro amanhecer, onde a sementes germinarão.
     Onde o tempo não passa e sempre é primavera.
     Tem que ter um olhar, um falar, um estar aqui.
     Para completar, poder amar, sonhar, sonhar...
     Será assim, seremos sim, muito mais que um...
     Seremos nós.

20:11

Poesia publicada no jornal Fronteira-Herval. Em 1983. Triste palhaço

Poesia publicada no jornal Fronteira-Herval. Em 1983.



                             Triste palhaço
   Tão triste, não te reconheço.
   Porque estás assim?
   Escondes teu rosto numa velha máscara.
   ocultas tua alma em rasgadas janelas.
   Desfilas desengonçado no bloco feliz.
   Palhaço, hoje sim te assumes no teu nada.
   Substantivo comum na massa toda.
   És um palhaço e isso te basta, tens uma banda,
   mas nem dela precisavas, pois coração de palhaço bate forte,
   dança, requebra, ri até da sorte.
   Mas quando acaba a folia a dor aumenta.
   Nem no bloco de sujos tu desfilas mais e nem te encobrem os          olhos, rasgadas janelas.
   Que pena me dá de ti, alma cansada.
   Se ainda tivesse lágrimas, contigo choraria este momento triste do    acordar.
   Talvez nunca mais eu dormiria, para não ser palhaço.
   Para não mais sonhar.



19:54

Do baú da memória, um conto real.

                      Do baú da memória, um conto real.


      Ele era um a mais a ver todos os dias a partida e a chegada dos         ônibus.

      Pedia trocados, oferecia serviços que poucos aceitavam, sua             aparência não o beneficiava para certos préstimos.
      Coitado ele não era, louco também não, embora alguém o                 chamasse assim. Talvez fosse carente, nunca soube onde                   morava. 
      Sei que dizia palavras soltas, frases engraçadas ou rebeladas,           mas falava. Joãozinho tinha voz.
      Alguns jogavam à ele ofensas, acho que de brinquedo.
      "Joãozinho ladrão", será que roubava? Não sei também de que         vivia.
      Mas num belo entardecer, Joãozinho passava pela rua e viu             senhoras, moças estudantes tomando chimarrão na frente de um       alojamento.
      - Joãozinho disse: Dizem que o Joãozinho é louco, é ladrão,             mas Joãozinho vai roubar o coração das moças.
      Aquela frase marcou sua vida. mesmo sem saber ele estava               entrando para a história daquele grupo.
      Porque muitos roubam, alguns roubam muito, outros nem tanto,       mas até hoje só quem  ouvi falar em roubar corações fostes tu
      Joãozinho.
      Passado um bom tempo, alguém falou:
      Joãozinho louco morreu!
      -Respondi:  Aquele que roubava o coração das moças.

20:55

Meu bem querer


                                             Meu bem querer

    Meu bem querer tem cheiro de flor do campo, me seduz com           seus encantos nas noites enluaradas.
    Seus cabelos, noite escura, tenta esconder a candura de seu olhar     encantado.
    Sua voz suave e quente, me salva das incertezas e me faz ver a         pureza  de um amor tão esperado.
    Bem queria eu que a vida, fosse sempre essa alegria, muitas             cores e enfeites de teu vestido bordado.

   Queria meu bem querer, que o tempo não passasse, que o inverno    não matasse essa rosa em botão.
   Seria então eu feliz, nas eternas primaveras, colhendo as flores do    campo e te tendo para mim.
   Bendita seria a vida, dia a dia te  amando,te acolhendo em meus      braços, bem perto do coração.
   As noites seriam lindas, os dias ensolarados e ter meus lábios          beijados por teus lábios de carmim.

   Mas o tempo bem querer, escreveu em curtas linhas, que uma          tarde de inverno te levaria de mim.
   Que triste meu bem querer, ver nossos sonhos jogados, mal              carpidos atirados,como folhas de capim.
   Mas deixa que o tempo passe, que a vida siga serena, pois tua          pele morena deixastes presa em mim.
   Não irás e não irei, para pagos tão distantes, se a vida é feita de        instantes, te espero e te vejo em uma flor de jasmim.

  E assim o tempo se foi ,sumindo que nem fumaça, não tinha vinho   nem taça que alegrasse meu viver.
  Mas o amor, esse amor que era só nosso, ainda está vivo, sei que     posso, ou talvez eu poderia.
  Pegarei minha estrada, que leva a qualquer lugar, não sei se vou       rir, ou chorar, mas preciso reviver.
  Te acharei meu bem  querer, com todos os teus perfumes e luzes     de vaga-lumes,alumiarão meu caminho,
  Pois chega de andar sozinho, me espera meu bem querer, junto ao   sol do meio dia.
  

   
   

   

20:00

A chaleira

                                                         A chaleira
   No fogo de chão se esquenta a chaleira para fazer o chimarrão.
   Meu avô faz o fogo com muita lenha e graveto, depois que o fogo    está pronto bota a carne no espeto.
   Quando o churrasco fica pronto ele chama a piazada para                  saborear com gosto a carne que já está picada.
   Assim é a vida do gaúcho. Cuida o gado no campo, o cavalo na        cocheira e o cusco baio faceiro que espera na porteira.
   Quando o dia vai findando, é também o fim da lida.
   A noite é curta e esperta, o novo dia que aponta já traz na luz e no    calor, mais uma luta e labor e o gaúcho segue a vida.

19:25

Querida

                                                                       Querida
Como te quero minha linda linda, cheiras a flor de vales inocentes.

Teus olhos negros são na noite escura brilho de estrela e farol aceso.
Quando te vejo assim linda e faceira, querida infância estás a refletir.
E teu cabelo num leve balanço te faz mais bela, querida , querida.
És a princesa daquele castelo, és a menina do meu coração
serás pra sempre minha querida,
Minha neta, rosa em botão.

19:03

Na busca do sonho

                                        Na busca do sonho
Arrumei a mala, enchi de sonhos.
Arrumei a casa, deixei pronta...
Perfumei o corpo inteiro
Para achar teu paradeiro.

Não fui, não fomos, erramos o caminho.
Desfiz tudo com carinho.
Mandei guardar os meus sonhos na mala grande da saudade.

Chorei ausência, enxuguei o pranto.
Chorei sozinha quieta no meu canto.
Deixei pra logo todos afazeres
Deixei rolar a vida sem prazeres.

Mas vai chegar o dia que espero.
Vou refazer tudo outra vez.
Vou caminhar um caminho seguro.
Com mais certezas do que tenho agora.
Pegarei a mala. Irei embora.

18:50

Bem querer

                                           Bem querer
Doce sabor de fruto maduro
Doce olhar de bem querer
Doces tardes de final de verão
Doce coração que se perdeu na solidão.

Quero plantar flores no outono
Quero cantar teu canto cheio de encanto.
Deixa te cuidar no inverno, te aquecerei.
Deixa beijar teu rosto para saber que nunca te esquecerei.

Vem a mim, me faz feliz nos dias mais escuros.
Vem, te preciso meu porto seguro.
Te quero todas as horas, mesmo quando dormes.

E quando a primavera chegar.
Te cobrirei de flores.
Te falarei de amores.
Te amarei como sempre e até quando não queiras mais amar.

11:30

Amor e flor

                                           Amor e flor.
Amores e flores tem uma relação conflituosa.
De que vivem os amores eternos se eternos não somos,
e a procura dessa eternidade vivemos.
Será que vivem nas luas cheias que iluminam o céu?
Será que passeiam com o vento nas brisas e vendavais, 
ou talvez vivam ocultas nos pobres corações partidos?
Se deixo as flores por amores, ou ao amor dou flores.
alegro-me porque enfeitam, entristeço-me porque morrem as flores.
Coitados dos amantes, felizes errantes, incansáveis andantes na busca de ti.
Se as flores soubessem o recado que levam, se as flores contassem as palavras que ouvem...
Nem flor mais seriam e pelos cantos punhados de pétalas chorariam.

11:14

Quem sou?

                                   Quem sou?

Te acompanho sempre, mesmo quando não vês.
Leio teus pensamentos.
Identifico se estás feliz ou triste pela tua voz.
Aceito teus desabafos em algumas noites.
Alegro-me com tua alegria.
Sei teus desejos virtudes e fraquezas.
Mesmo quando pensas bobagens...
Penso que tudo passa e a calma sempre vai voltar.
Muitos não sabem aonde estou, outros vem e vão.
Mas todos cada um do seu jeito,sabe que existo.
tenho tantos espalhados pelo mundo, mas junto do meu coração.
Eu sou tua Mãe.


22:35

Ter amor

                                           Ter amor
Ter amor é ver o sol nascer num dia de chuva.
É acalmar as tempestades.
É viver todos os momentos com saudade.
Ter amor é plantar um jardim com a certeza que vai florescer.
È ter a semente, o fruto, a terra e o pão.
É ser livre, sonhar e acreditar.
É deixar de ser noite escura para ser lua.
É viver eternamente esse amor.É brindar a vida sem taças.
É ser muito mais do que se espera.
É esperar, é te encontrar em todos os caminhos de minha vida.

19:34

O céu entristeceu

                                    O céu entristeceu
No meio da tarde se fez quase noite.
O céu escureceu.
Poderá vir chuva ou quem sabe é só a chegada do inverno.
Um inverno extenso, que gela a alma.
Um inverno que mata as flores.
Salvem as flores deste inverno.
Elas não merecem morrer.
Amores e flores, não deviam ter inverno.
Gelar-se é perder a vida.
Ficar contida na sombra do céu nublado.
Ter muito tempo e pouca alegria.
É não ver o amanhecer colorido.
Estar tão triste,tão ferido.
Esconder-se da noite e não aparecer de dia.
Se o céu entristece o mundo sofre, as aves não voam e os ninhos tremem ao vento.
Que o céu volte a clarear.
Que o riso volte a ecoar pela rua.
Que Deus mande de volta um céu azul para o meu amor.

22:46

Bela

                                                Bela

Bela,bela lua, que desfila nua num céu de estrelas.
Bela noite em que te encontro e nos mais longos desencontros, serás a bela visita que bate na porta e não importa se na mão trazes apenas uma bela rosa.
Bela, quando ousada, causas e foges descalça e enches a rua com tua sombra na branca luz da lua.
És bela mesmo quando não posso te abraçar e te vás e não voltarás  para ver as belas flores que para ti plantei.
Minha saudade te acompanha nas manhãs, belas manhãs de doces encantos.
Bela que espalhava seu perfume e marcava a chegada e no silêncio dizia que veio para ficar.
Bela, bela lembrança de um grande amor, que tinha a luz da lua nos olhos.
Ficaram belas gotas de orvalho.
Belas palavras de amor.

12:46

Esperando você

                                                         Esperando você
Passam as horas e você não aparece.
Você e seus mistérios , você e sua guitarra, você com mil programas.
Agora já passaram várias horas e você não veio, você está sem mim.
Sei que não virá hoje e a noite está fria, tem vento que sopra mansinho.
Escuto um carro passar devagarinho e na noite calada só não escuto você.
Abro a janela, sinto música no ar.
É o som de sua guitarra.
Neste momento gostaria de dizer-lhe muitas coisas.
Coisas que você já sabe,que ouviu tantas vezes, mas nuca ditas por mim.
Por que você não veio?
Se está tão perto?
Não sei e nem quero saber.
Amanhã você volta, me conta uma história e eu fico feliz.
E agora eu rezo, por você e por mim.

12:31

Dona saudade

                                          Dona saudade
Sei que da vida nada levarei.
Não levarei triunfos de amor.
Ninguém compreende minhas ações.
Mas não somente o caminhão eu vejo,rompendo areias,
atravessando o brejo.
Na selva ontem, hoje na avenida.
Eu vejo a carne e o sangue de que é feito o motorista.
O coração no peito, vivendo nele e nele dando a vida.
Alimentei perdidas ilusões.
E na vida não bom viajar.
Deixei no mundo triste enganador, sofrimentos em forma de canções.
Bem sei que na vida estou no acaso.
Morrendo a prestações, parece que da vida não fiz caso.
Agora de viver tenho lições e a professora é Dona saudade.

12:19

Amor estranho

                                             Amor estranho
Aonde estás amor estranho?
Em que mundo habita esse teu louco coração?
Se nos caminhos que conheço já não te encontro mais.
Quisera saber teu rumo e nessa estrada incerta colocar um farol aceso.
Para ter a certeza que não te perderias nunca.
Que terias a minha luz como ponto de referência.
Mas sei apenas que passas à meu lado e não vejo,
pisas o meu chão, mas estás num mundo distante.

12:10

Eu...

                                                                   Eu
Sou o ódio e o amor, a revolta e a ternura.
Um misto de sentimentos perdidos na loucura do mundo na aridez da vida.
Sou uma estrada deserta escutando ao longe o rumores dos passos que já não passam mais.
Sou a saudade.
Um berço vazio.
Um grito sem eco
Um membro desfeito de um corpo qualquer.
De amor nada tenho, talvez nunca tive, só a loucura do sonho, 
da ternura e da paz.
Mas o sonho foi breve, a paz nunca veio e a ternura era só minha.
Talvez seja certo deixar que tu morras, assim puro e terno
enquanto és só meu.
Consciente que a vida não passa de um sonho, não é fácil e é
triste, dizer-te agora, que esse sonho morreu.

11:39

No outono

                                                     No outono
As cores dos pinheirais contrastam com o céu cinza e bege no entardecer.
Uma imagem em preto e branco define este final de tarde.
É no outono que devem ficar guardados os amores perdidos,
Os não vividos e até aqueles que parecem esquecidos.
Poupamo-los do frio gélido do inverno.
Mas, para eles não há outra primavera.
O brotar, crescer, florir, não mais os pertence.
Deixa que permaneçam em preto e branco, guardados no outono.
Fazer parte da história é um direito de quem um dia viveu.
Estar vivo é participar de todas as estações.
Colorindo-se sempre, iluminando e sorrindo porque hoje é bom.         
Amanhã não será igual à hoje, vivemos momentos únicos.
Não esquece amor, lembra com carinho de um momento especial.
Sempre haverá outono, mas agora a primavera é minha e viverei.

Para continuar o percurso até  chegar, aonde não quisestes ir.

16:40

Brasas

                                                      Brasas
Pedaços de uma vida fazendo clarão,calor, fogo aceso, até virar cinzas e carvão.
És partícula de um ser que ceifado se fez o pouco que és.
Aqueces e queimas à algum desafio, mas não voltaras a ter vida, tudo acaba aqui.
São seres submetidos à transformação, sem alma, na calma, iluminam a escuridão.
Assim é o homem, os seres com razão, que passam pela vida e nem sempre marcam o chão.
E vão murchando com o tempo, perdendo seu viço, sua massa e seu poder.
Se é que um dia podiam alguma coisa fazer.
E a vida vai indo tornando menos útil seu longo viver.
Um dia serão corpos, restos de um antigo alvorecer.
E quem mesmo na vida tão pouco gozou, recebe uma placa, com nome completo, gravado em granito.
Eterno serás. Pelo menos agora, guardado para sempre.
O desconhecido que a morte consagrou.