Um coração cigano que lê a sorte nos teus olhos.
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Maria
O rancho
Terra cortada em pedaços,paredes foram erguidas,
só quem viveu essa época, sabe o quanto é dura a lida.
Depois o barro sovado para fazer o reboco, e tudo ficando lindo, qual ninho de passarinho, com vida amor
e conforto.
Não é o que tem agora, luzes feitas de neon, era um
raio de sol ou um pedaço de lua, entrava pela palha e iluminava o ambiente,
daqueles que não tem mais, os pais, os filhos, os avós.....
Quanta saudade e lembrança, do meu tempo de criança
e um rancho cheio de gente.
Talvez tragam em sua essência o pranto contido por ausência tua.
As vezes a chuva se torna violenta e manda avisos por raios e tormenta.
Também os corações com tanto sofrimento, derrama lágrimas de dor porque não mais aguenta.
Senhor da chuva, Senhor dos corações, da um alívio nesse tempo feio, traz de volta o sol e o vento.
Senhor, seca as lágrimas, que a rua não chore, que o povo não sofra, que as perdas se reparem e poupa-lhes a vida.
Te peço que venhas com teu poncho imenso, aquecendo a todos que estão desabrigados, dando esperança, força e fé.
Por Nossa Senhora, Amém.
É verdade que a saudade aumenta quando o tempo passa.
E tudo começa a se perder nas entrelinhas do passado.
As lágrimas escassas teimam em cair.
E o que será que está por vir?
O que sabemos desta vida breve, a não ser que estamos aqui.
De verdade é a morte, essa sim é para sempre.
E ronda com seus olhos vendados os cantos do mundo, e se esconde.
pobres andantes, viventes, errantes, com medo de ti.
Quando será? Ninguém quer saber. Mas sabemos que virá e nos levará.
Saudade, saudade é o que fica guardado no cofre dos corações, que
doem em silêncio. Talvez porque é mais fácil ter com quem sorrir, do
que ter com quem chorar.
Bom assim, a alegria tem mais espaço do que a dor, ou não?
Perdidos em lembranças, buscamos esperança, que bom é ser criança.
Ter pai e mãe por perto, bolinhas de sabão, que no vento se vão.
E ir tocando a vida, sem pensar em despedidas.
Queria matar a morte, que tanto faz sofrer. Mas como seria, se quando a vida começa é que começamos a morrer.
Em ti moram os maiores sonhos e tuas mãos carregam esperança.
Dentro de ti geras a vida e és a guarida de tua criança.
Na noite fria és cobertor quentinho, teu leite morno é o alimento certo.
Tua alegria mora com teus filhos, se estão felizes tu estás contente.
Ninguém compare esse amor sem medida, que mora nas mães de todo continente.
Se é rica ou pobre sofres a mesma dor, e dás vida a pelo filho amado.
Mãe, sou grata a ti por todos os carinhos, ensinamentos que a mim deixastes. Moras em minha alma em todos os momentos e não ha sofrimento que de ti me afaste.
Eterna sim, em todos os amores, dedico a ti o maior jardim de flores,
que sem saber plantastes quando me gerastes.
O céu escurece cedo neste dia quente de maio.
Não sei se foi um dia fácil, mas talvez de decisões.
Quando o agir torna-se difícil, o coração aperta e se esconde, querendo deixar para amanhã.
Mas a hora é agora, deixar as tristezas e dar rumo ao barco.
Que Deus sempre me ajude a fazer a coisa certa.
Que me ilumine no caminho e me dê a mão se eu vacilar.
Que o coração e a razão andem juntos para não magoar.
Que não seja eu causadora de conflitos, mas sim a solução para eles.
Pai nosso de todos dias, enche meu lar de paz e alegria.
Que seja feita a tua vontade no mundo dos homens.
Perdoa meus erros e abençoa meus acertos.
Amém.
Meu colega de batalha, que todos os dias levanta cedo e vai cumprir sua missão, com a finalidade de colocar na mesa o pão de cada dia.
Pense que é um herói, que nenhuma profissão é melhor que a sua.
Que todos somos necessários para o andamento dessa máquina.
Embora sabendo que quem menos trabalha é quem mais recebe.
Mesmo assim, não desiste, é honesto e ama o que faz.
Amigo de fé, que mesmo diante de tantas atrocidades, volta à rua e cumpre seu papel.
Mesmo com o medo rondando seus passos, vai em frente e vence.
Só nós sabemos que a coisa mais triste é ver um filho com fome.
Sem médico, sem medicamento e tantas vezes sem amor.
Todos nós brasileiros, esperamos pela Mãe Gentil.
Chora por teus filhos, grita por justiça, igualdade e paz.
Chora Pátria amada....
BRASIL.
Naquela tarde de outono
O meu rancho ficou só.
A prenda se foi embora
E a tristeza é de dar dó.
De tudo que construímos.
Deixando só para mim
O amor que dividimos.
A chaleira no fogão,
Me falta a prenda querida
Pra tomar o chimarrão.
Não me deixa esquecer,
O Calor de seu abraço
Não mais alivia meu sofrer.
Este tudo em meu viver.
Não mais me valem os trocados
Que tenho pra receber.
Vou me pilchar á capricho,
Para ir ao vilarejo
Ver se acho algum cambicho.
Não tem pilcha que arrume,
Saio na porta sem jeito
Me falta o seu perfume.
Mas do lado falta o seu.
Falta seu rosto, seu riso.
Falta seu braço no meu.
Teus olhos, olhos de campo, olhar de lua.
Amor, meu amor, nesta tarde que foi, ficou saudades tuas.
E a noite, longa e quieta, sussurra cantos e risos pela rua.
Não sabia que o tempo levaria tuas palavras alegres, nem que teu riso iria embora junto com a estrela guia, nem que sonharia e por ti sofreria.
Anjo meu, traz de volta um pouco de alegria, amanhã, com sol novinho
Que vai brilhar no céu dos meus tormentos, amanhã ao meio dia.
Anjos
Anjos que planam pela noite adentro e se
embrenham nas ruas mais escuras. São anjos perdidos feito gente, anjos que
precisam de nossa ajuda.
Anjos pequenos e as
vezes nem tanto, mas são anjos tontos nas baladas da vida. Vida tão querida,
que não queria assim ser vivida.
Anjos torturados, com tiros no peito, anjos
violados na sua candura, anjos negociados qual mercadoria e depois descartados
no meio da rua.
Meu DEUS, vem em socorro desse mundo louco, que faz
do ser humano um trapo qualquer. São filhos Senhor e pedem por socorro, atende
por favor, mesmo que não tenham fé.
Te peço por todos, atende este pedido de mãe, de
professora, de cidadã, de vó, de tia....não importa quem for, abraça teus anjos
SENHOR, Amém.
Assim é a vida,nem sempre vemos tudo, nem tampouco sabemos o que ficou na história de cada um.
A fruta madura, a saudade contida, a água do rio, que também não conta as pedras de seu caminho sem volta.
Não devemos julgar as aparências, só por elas, nada somos.
Observe tudo a cada dia, como se fosse o primeiro e descobrirá que as pérolas viveram no lodo. E nós?
Será
Será que a cada dia vamos rever nossos erros e aprender com eles?
Será que seremos felizes como antes ou vamos descobrir que nunca fomos?
Será possível que apesar de tudo o que se vive, ainda falta tanto.
E quando, olharmos o antigo álbum nos veremos distantes.
Tempos passados, risos roubados, sonhos escassos...
De que valeu tudo o que foi feito, se continuamos do mesmo jeito.
Noites iguais, dias sem sol, solidão.
Sem mim, sem ti, falta de nós.
elos quebrados, que dó, mas que dor neste muindo sem cor.
Mas haverá outro amanhecer, onde a sementes germinarão.
Onde o tempo não passa e sempre é primavera.
Tem que ter um olhar, um falar, um estar aqui.
Para completar, poder amar, sonhar, sonhar...
Será assim, seremos sim, muito mais que um...
Seremos nós.
Poesia publicada no jornal Fronteira-Herval. Em 1983.
Do baú da memória, um conto real.
Ele era um a mais a ver todos os dias a partida e a chegada dos ônibus.
Pedia trocados, oferecia serviços que poucos aceitavam, sua aparência não o beneficiava para certos préstimos.
Coitado ele não era, louco também não, embora alguém o chamasse assim. Talvez fosse carente, nunca soube onde morava.
Sei que dizia palavras soltas, frases engraçadas ou rebeladas, mas falava. Joãozinho tinha voz.
Alguns jogavam à ele ofensas, acho que de brinquedo.
"Joãozinho ladrão", será que roubava? Não sei também de que vivia.
Mas num belo entardecer, Joãozinho passava pela rua e viu senhoras, moças estudantes tomando chimarrão na frente de um alojamento.
- Joãozinho disse: Dizem que o Joãozinho é louco, é ladrão, mas Joãozinho vai roubar o coração das moças.
Aquela frase marcou sua vida. mesmo sem saber ele estava entrando para a história daquele grupo.
Porque muitos roubam, alguns roubam muito, outros nem tanto, mas até hoje só quem ouvi falar em roubar corações fostes tu
Joãozinho.
Passado um bom tempo, alguém falou:
Joãozinho louco morreu!
-Respondi: Aquele que roubava o coração das moças.
Meu bem querer
A chaleira
No fogo de chão se esquenta a chaleira para fazer o chimarrão.
Meu avô faz o fogo com muita lenha e graveto, depois que o fogo está pronto bota a carne no espeto.
Quando o churrasco fica pronto ele chama a piazada para saborear com gosto a carne que já está picada.
Assim é a vida do gaúcho. Cuida o gado no campo, o cavalo na cocheira e o cusco baio faceiro que espera na porteira.
Quando o dia vai findando, é também o fim da lida.
A noite é curta e esperta, o novo dia que aponta já traz na luz e no calor, mais uma luta e labor e o gaúcho segue a vida.
Querida
Como te quero minha linda linda, cheiras a flor de vales inocentes.
serás pra sempre minha querida,
Minha neta, rosa em botão.
Na busca do sonho
Arrumei a mala, enchi de sonhos.
Arrumei a casa, deixei pronta...
Perfumei o corpo inteiro
Para achar teu paradeiro.
Não fui, não fomos, erramos o caminho.
Desfiz tudo com carinho.
Mandei guardar os meus sonhos na mala grande da saudade.
Chorei ausência, enxuguei o pranto.
Chorei sozinha quieta no meu canto.
Deixei pra logo todos afazeres
Deixei rolar a vida sem prazeres.
Mas vai chegar o dia que espero.
Vou refazer tudo outra vez.
Vou caminhar um caminho seguro.
Com mais certezas do que tenho agora.
Pegarei a mala. Irei embora.
Bem querer
Doce sabor de fruto maduro
Doce olhar de bem querer
Doces tardes de final de verão
Doce coração que se perdeu na solidão.
Quero plantar flores no outono
Quero cantar teu canto cheio de encanto.
Deixa te cuidar no inverno, te aquecerei.
Deixa beijar teu rosto para saber que nunca te esquecerei.
Vem a mim, me faz feliz nos dias mais escuros.
Vem, te preciso meu porto seguro.
Te quero todas as horas, mesmo quando dormes.
E quando a primavera chegar.
Te cobrirei de flores.
Te falarei de amores.
Te amarei como sempre e até quando não queiras mais amar.
Amor e flor.
Amores e flores tem uma relação conflituosa.
De que vivem os amores eternos se eternos não somos,
e a procura dessa eternidade vivemos.
Será que vivem nas luas cheias que iluminam o céu?
Será que passeiam com o vento nas brisas e vendavais,
ou talvez vivam ocultas nos pobres corações partidos?
Se deixo as flores por amores, ou ao amor dou flores.
alegro-me porque enfeitam, entristeço-me porque morrem as flores.
Coitados dos amantes, felizes errantes, incansáveis andantes na busca de ti.
Se as flores soubessem o recado que levam, se as flores contassem as palavras que ouvem...
Nem flor mais seriam e pelos cantos punhados de pétalas chorariam.
Quem sou?
Ter amor
Ter amor é ver o sol nascer num dia de chuva.
É acalmar as tempestades.
É viver todos os momentos com saudade.
Ter amor é plantar um jardim com a certeza que vai florescer.
È ter a semente, o fruto, a terra e o pão.
É ser livre, sonhar e acreditar.
É deixar de ser noite escura para ser lua.
É viver eternamente esse amor.É brindar a vida sem taças.
É ser muito mais do que se espera.
É esperar, é te encontrar em todos os caminhos de minha vida.
O céu entristeceu
No meio da tarde se fez quase noite.
O céu escureceu.
Poderá vir chuva ou quem sabe é só a chegada do inverno.
Um inverno extenso, que gela a alma.
Um inverno que mata as flores.
Salvem as flores deste inverno.
Elas não merecem morrer.
Amores e flores, não deviam ter inverno.
Gelar-se é perder a vida.
Ficar contida na sombra do céu nublado.
Ter muito tempo e pouca alegria.
É não ver o amanhecer colorido.
Estar tão triste,tão ferido.
Esconder-se da noite e não aparecer de dia.
Se o céu entristece o mundo sofre, as aves não voam e os ninhos tremem ao vento.
Que o céu volte a clarear.
Que o riso volte a ecoar pela rua.
Que Deus mande de volta um céu azul para o meu amor.
Bela
Esperando você
Passam as horas e você não aparece.
Você e seus mistérios , você e sua guitarra, você com mil programas.
Agora já passaram várias horas e você não veio, você está sem mim.
Sei que não virá hoje e a noite está fria, tem vento que sopra mansinho.
Escuto um carro passar devagarinho e na noite calada só não escuto você.
Abro a janela, sinto música no ar.
É o som de sua guitarra.
Neste momento gostaria de dizer-lhe muitas coisas.
Coisas que você já sabe,que ouviu tantas vezes, mas nuca ditas por mim.
Por que você não veio?
Se está tão perto?
Não sei e nem quero saber.
Amanhã você volta, me conta uma história e eu fico feliz.
E agora eu rezo, por você e por mim.
Dona saudade
Sei que da vida nada levarei.
Não levarei triunfos de amor.
Ninguém compreende minhas ações.
Mas não somente o caminhão eu vejo,rompendo areias,
atravessando o brejo.
Na selva ontem, hoje na avenida.
Eu vejo a carne e o sangue de que é feito o motorista.
O coração no peito, vivendo nele e nele dando a vida.
Alimentei perdidas ilusões.
E na vida não bom viajar.
Deixei no mundo triste enganador, sofrimentos em forma de canções.
Bem sei que na vida estou no acaso.
Morrendo a prestações, parece que da vida não fiz caso.
Agora de viver tenho lições e a professora é Dona saudade.
Amor estranho
Aonde estás amor estranho?
Em que mundo habita esse teu louco coração?
Se nos caminhos que conheço já não te encontro mais.
Quisera saber teu rumo e nessa estrada incerta colocar um farol aceso.
Para ter a certeza que não te perderias nunca.
Que terias a minha luz como ponto de referência.
Mas sei apenas que passas à meu lado e não vejo,
pisas o meu chão, mas estás num mundo distante.
Eu
Sou o ódio e o amor, a revolta e a ternura.
Um misto de sentimentos perdidos na loucura do mundo na aridez da vida.
Sou uma estrada deserta escutando ao longe o rumores dos passos que já não passam mais.
Sou a saudade.
Um berço vazio.
Um grito sem eco
Um membro desfeito de um corpo qualquer.
De amor nada tenho, talvez nunca tive, só a loucura do sonho,
da ternura e da paz.
Mas o sonho foi breve, a paz nunca veio e a ternura era só minha.
Talvez seja certo deixar que tu morras, assim puro e terno
enquanto és só meu.
Consciente que a vida não passa de um sonho, não é fácil e é
triste, dizer-te agora, que esse sonho morreu.

