Do frio ao calor numa harmoniosa canção.
Entre sol e lua, dia e noite.
O acolher, o aconchegar, o despertar e o queimar.
Flor te tornastes e te vi, ali, perfeita e bronzeada.
Amor perfeito que meu será..
Em todas as estações.
Um coração cigano que lê a sorte nos teus olhos.
Morrer de amor
Se de amor se morre
Por amor também se vive
E quando se sobrevive
Sei que deixa cicatrizes
A marcas que ficam
E que a plastica da vida tira
Mesmo que sejam profundas !
E o amor e o ciume
São como o perfume que se esvai
Como fumaça que arde
E que dilata as narinas
E sem arrependimento
Vai-se embora com o vento
O amor é tão forte
Que tem a sorte
De ser como o peão
Que enfrenta as intempéries
Lutando e se revigorando
E assim é o coração !
( Zair Bubols )
Quando
Quando nos encontramos éramos estradas.
Depois começamos a ser caminhos.
Hoje somos trilha e juntos caminhamos.
Mas sempre sonhamos e juntos realizamos.
As vezes sofremos, mas sempre nos apoiamos.
Semeamos o amor e hoje temos os frutos.
Quando te vi, eras um estranho.
Quando caminhaste a meu lado, me senti segura.
Quando me apaixonei me assustei.
Quando vi que me amavas, aceitei.
E lembro aquele dia que dissestes: Não esquece que
eu te amo.
Quando o tempo passar, passar... Não esquece que eu
te amo.
O rancho
Terra cortada em pedaços,paredes foram erguidas,
só quem viveu essa época, sabe o quanto é dura a lida.
Depois o barro sovado para fazer o reboco, e tudo ficando lindo, qual ninho de passarinho, com vida amor
e conforto.
Não é o que tem agora, luzes feitas de neon, era um
raio de sol ou um pedaço de lua, entrava pela palha e iluminava o ambiente,
daqueles que não tem mais, os pais, os filhos, os avós.....
Quanta saudade e lembrança, do meu tempo de criança
e um rancho cheio de gente.
Anjos
Anjos que planam pela noite adentro e se
embrenham nas ruas mais escuras. São anjos perdidos feito gente, anjos que
precisam de nossa ajuda.
Anjos pequenos e as
vezes nem tanto, mas são anjos tontos nas baladas da vida. Vida tão querida,
que não queria assim ser vivida.
Anjos torturados, com tiros no peito, anjos
violados na sua candura, anjos negociados qual mercadoria e depois descartados
no meio da rua.
Meu DEUS, vem em socorro desse mundo louco, que faz
do ser humano um trapo qualquer. São filhos Senhor e pedem por socorro, atende
por favor, mesmo que não tenham fé.
Te peço por todos, atende este pedido de mãe, de
professora, de cidadã, de vó, de tia....não importa quem for, abraça teus anjos
SENHOR, Amém.
Será
Será que a cada dia vamos rever nossos erros e aprender com eles?
Será que seremos felizes como antes ou vamos descobrir que nunca fomos?
Será possível que apesar de tudo o que se vive, ainda falta tanto.
E quando, olharmos o antigo álbum nos veremos distantes.
Tempos passados, risos roubados, sonhos escassos...
De que valeu tudo o que foi feito, se continuamos do mesmo jeito.
Noites iguais, dias sem sol, solidão.
Sem mim, sem ti, falta de nós.
elos quebrados, que dó, mas que dor neste muindo sem cor.
Mas haverá outro amanhecer, onde a sementes germinarão.
Onde o tempo não passa e sempre é primavera.
Tem que ter um olhar, um falar, um estar aqui.
Para completar, poder amar, sonhar, sonhar...
Será assim, seremos sim, muito mais que um...
Seremos nós.
Poesia publicada no jornal Fronteira-Herval. Em 1983.
Do baú da memória, um conto real.
Ele era um a mais a ver todos os dias a partida e a chegada dos ônibus.
Pedia trocados, oferecia serviços que poucos aceitavam, sua aparência não o beneficiava para certos préstimos.
Coitado ele não era, louco também não, embora alguém o chamasse assim. Talvez fosse carente, nunca soube onde morava.
Sei que dizia palavras soltas, frases engraçadas ou rebeladas, mas falava. Joãozinho tinha voz.
Alguns jogavam à ele ofensas, acho que de brinquedo.
"Joãozinho ladrão", será que roubava? Não sei também de que vivia.
Mas num belo entardecer, Joãozinho passava pela rua e viu senhoras, moças estudantes tomando chimarrão na frente de um alojamento.
- Joãozinho disse: Dizem que o Joãozinho é louco, é ladrão, mas Joãozinho vai roubar o coração das moças.
Aquela frase marcou sua vida. mesmo sem saber ele estava entrando para a história daquele grupo.
Porque muitos roubam, alguns roubam muito, outros nem tanto, mas até hoje só quem ouvi falar em roubar corações fostes tu
Joãozinho.
Passado um bom tempo, alguém falou:
Joãozinho louco morreu!
-Respondi: Aquele que roubava o coração das moças.
Meu bem querer
A chaleira
No fogo de chão se esquenta a chaleira para fazer o chimarrão.
Meu avô faz o fogo com muita lenha e graveto, depois que o fogo está pronto bota a carne no espeto.
Quando o churrasco fica pronto ele chama a piazada para saborear com gosto a carne que já está picada.
Assim é a vida do gaúcho. Cuida o gado no campo, o cavalo na cocheira e o cusco baio faceiro que espera na porteira.
Quando o dia vai findando, é também o fim da lida.
A noite é curta e esperta, o novo dia que aponta já traz na luz e no calor, mais uma luta e labor e o gaúcho segue a vida.
Querida
Como te quero minha linda linda, cheiras a flor de vales inocentes.
Na busca do sonho
Arrumei a mala, enchi de sonhos.
Arrumei a casa, deixei pronta...
Perfumei o corpo inteiro
Para achar teu paradeiro.
Não fui, não fomos, erramos o caminho.
Desfiz tudo com carinho.
Mandei guardar os meus sonhos na mala grande da saudade.
Chorei ausência, enxuguei o pranto.
Chorei sozinha quieta no meu canto.
Deixei pra logo todos afazeres
Deixei rolar a vida sem prazeres.
Mas vai chegar o dia que espero.
Vou refazer tudo outra vez.
Vou caminhar um caminho seguro.
Com mais certezas do que tenho agora.
Pegarei a mala. Irei embora.
Bem querer
Doce sabor de fruto maduro
Doce olhar de bem querer
Doces tardes de final de verão
Doce coração que se perdeu na solidão.
Quero plantar flores no outono
Quero cantar teu canto cheio de encanto.
Deixa te cuidar no inverno, te aquecerei.
Deixa beijar teu rosto para saber que nunca te esquecerei.
Vem a mim, me faz feliz nos dias mais escuros.
Vem, te preciso meu porto seguro.
Te quero todas as horas, mesmo quando dormes.
E quando a primavera chegar.
Te cobrirei de flores.
Te falarei de amores.
Te amarei como sempre e até quando não queiras mais amar.
Amor e flor.
Amores e flores tem uma relação conflituosa.
De que vivem os amores eternos se eternos não somos,
e a procura dessa eternidade vivemos.
Será que vivem nas luas cheias que iluminam o céu?
Será que passeiam com o vento nas brisas e vendavais,
ou talvez vivam ocultas nos pobres corações partidos?
Se deixo as flores por amores, ou ao amor dou flores.
alegro-me porque enfeitam, entristeço-me porque morrem as flores.
Coitados dos amantes, felizes errantes, incansáveis andantes na busca de ti.
Se as flores soubessem o recado que levam, se as flores contassem as palavras que ouvem...
Nem flor mais seriam e pelos cantos punhados de pétalas chorariam.
Quem sou?
Ter amor
Ter amor é ver o sol nascer num dia de chuva.
É acalmar as tempestades.
É viver todos os momentos com saudade.
Ter amor é plantar um jardim com a certeza que vai florescer.
È ter a semente, o fruto, a terra e o pão.
É ser livre, sonhar e acreditar.
É deixar de ser noite escura para ser lua.
É viver eternamente esse amor.É brindar a vida sem taças.
É ser muito mais do que se espera.
É esperar, é te encontrar em todos os caminhos de minha vida.
O céu entristeceu
No meio da tarde se fez quase noite.
O céu escureceu.
Poderá vir chuva ou quem sabe é só a chegada do inverno.
Um inverno extenso, que gela a alma.
Um inverno que mata as flores.
Salvem as flores deste inverno.
Elas não merecem morrer.
Amores e flores, não deviam ter inverno.
Gelar-se é perder a vida.
Ficar contida na sombra do céu nublado.
Ter muito tempo e pouca alegria.
É não ver o amanhecer colorido.
Estar tão triste,tão ferido.
Esconder-se da noite e não aparecer de dia.
Se o céu entristece o mundo sofre, as aves não voam e os ninhos tremem ao vento.
Que o céu volte a clarear.
Que o riso volte a ecoar pela rua.
Que Deus mande de volta um céu azul para o meu amor.
Bela
Esperando você
Passam as horas e você não aparece.
Você e seus mistérios , você e sua guitarra, você com mil programas.
Agora já passaram várias horas e você não veio, você está sem mim.
Sei que não virá hoje e a noite está fria, tem vento que sopra mansinho.
Escuto um carro passar devagarinho e na noite calada só não escuto você.
Abro a janela, sinto música no ar.
É o som de sua guitarra.
Neste momento gostaria de dizer-lhe muitas coisas.
Coisas que você já sabe,que ouviu tantas vezes, mas nuca ditas por mim.
Por que você não veio?
Se está tão perto?
Não sei e nem quero saber.
Amanhã você volta, me conta uma história e eu fico feliz.
E agora eu rezo, por você e por mim.
Dona saudade
Sei que da vida nada levarei.
Não levarei triunfos de amor.
Ninguém compreende minhas ações.
Mas não somente o caminhão eu vejo,rompendo areias,
atravessando o brejo.
Na selva ontem, hoje na avenida.
Eu vejo a carne e o sangue de que é feito o motorista.
O coração no peito, vivendo nele e nele dando a vida.
Alimentei perdidas ilusões.
E na vida não bom viajar.
Deixei no mundo triste enganador, sofrimentos em forma de canções.
Bem sei que na vida estou no acaso.
Morrendo a prestações, parece que da vida não fiz caso.
Agora de viver tenho lições e a professora é Dona saudade.